Categorias Analíticas

 

  • Sociedade em Rede (Castells)

    Todos os parágrafos abaixo são excertos retirados de “The Rise of the Network Society, The Information Age: Economy, Society and Culture”, Vol. I. Cambridge, MA; Oxford, UK: Blackwell.

    Manuel Castells sustenta que as tecnologias da informacão estão transformando a base material das sociedades – e estas estao sendo estruturadas em torno da oposicao polar entre a Rede (funcao) e o Ser (significado). No entanto, segundo o autor, a sociedade nao e’ determinada pela tecnologia, ja’ que o problema da determinacao tecnologica e’ um falso problema – “a tecnologia e’ a sociedade”. O argumento de Castells é o de que a tecnologia não determina a evolucão histórica (ou mudanca social), mas a capacidade das sociedades em dominar a tecnologia é fundamental na modelagem de seu futuro. O que deve ser observado na relacão entre sociedade e tecnologia é o papel do Estado em frear, liberar ou protagonizar a inovacao tecnológica. Este e’ um fator decisivo no processo total, pois ele organiza as forcas sociais e culturais que dominam em um dado espaco e tempo

    Política na Internet: A Inet nao é instrumento de libertacao nem de dominacao, de forma que a tecnologia nao é nem boa, nem má, mas também nao é neutra. A Internet garante a infra-estrutura para o exercício da democracia direta, assim como o controle estatal de manifestacões públicas. “O poder é exercído na sociedade em rede em torno da producão e difusão de nós culturais e conteúdos de informacão”.

    Producão: Acão humana sobre a natureza, para apropriar-se dela e transformá-la em seu benefício, obtendo um produto, consumindo parte dele e acumulando mais valia para investimento.

    Experiência: é a acão humana dos homens sobre eles mesmos, determinada pela interacão entre sua natureza e cultura (biologia e identidade).

    Poder: É a relacão entre sujeitos humanos com base na producão e na experiência de imposicão dos desígnios de uns sobre os outros, através do uso efetivo ou potencial da violência física ou simbólica.

    Tecnologia: É a forma específica do relacionamento entre trabalho e matéria (acão sobre a matéria com base no conhecimento, na energia e na informacão).

    Conhecimento: É um conjunto de declaracões de fatos ou idéias organizados, apresentando um julgamento razoável ou um resultado experimental, que é transmitido para os outros através de algum meio de comunicacão de forma sistemática.

    Informacão: Dados que foram organizados e comunicados.

    Modo de Desenvolvimento Informacionalista: Trata-se do arranjo tecnológico através dos quais o trabalho atua sobre a matéria para gerar um produto. Cada modo de desenvolvimento possui um elemento fundamental na producão – agrário (recursos naturais, terra); industrial (fonte de produtividade está na introducão de novas fontes de energia, à vapor, elétrica, nuclear); informacional (tecnologias de producao de conhecimento, processamento de informacão e comunicacão; acão do conhecimento sobre o conhecimento é o que distigue o modo de desenvolvimento informacional dos outros). O modo de desenvolvimento é responsável pela modelagem dos comportamentos sociais. Porque o informacionalismo está baseado em tecnologias do conhecimento e da informacão, existindo uma ligacão próxima entre cultura e forcas produtivas, espírito e matéria. O Informacionalismo está voltado para o desenvolvimento tecnológico (acumulacão de conhecimento).

  • Rede Social

    Rede Social baseia-se na importância das relações entre as unidades interativas. A perspectiva da “rede social” engloba teorias, modelos e aplicações que são expressos em conceitos relacionais ou processos. Juntamente com o interesse crescente e um aumento da utilização da análise de rede se chegou em um consenso sobre os princípios fundamentais subjacentes à perspectiva de rede.

    Wasserman, S. and K. Faust, 1994, Social Network Analysis. Cambridge: Cambridge University Press.

    A Análise de Rede Social surgiu como um conjunto de métodos para a análise das estruturas sociais, métodos que são especificamente orientados para uma investigação dos aspectos relacionais destas estruturas. A utilização destes métodos, portanto, depende da disponibilidade de dados relacional ao invés de dados atribuídos.

    Scott, J., 1992, Social Network Analysis. Newbury Park CA: Sage.

     

  • Rede

    Uma possível reconstrução do conceito de redes pode remeter-se à obra de Norbert Wiener, “Cibernética e sociedade: o uso humano de seres humanos” (São Paulo: Cultrix, 1968), em que o autor pensa a informação como “elemento” que perpassa todo processo de organização e mudança de um objeto estudado (sejam máquinas, uma comunidade de formigas, de seres humanos, etc.). O fluxo da informação é que permite mudanças de comportamentos através de um processo de aprendizagem (“teoria das mensagens”). Este fluxo, fundamento para a noção de redes, se dá de maneira horizontal já que pressupõe a interatividade; Wiener critica organizações burocráticas e hierarquizadas por não serem capazes de mudança uma vez que os comandos superiores jamais recebem respostas de seus funcionários.

    Wiener ainda não trabalha com a idéia de rede, mas sim com a de sistemas. Donald Schön, já na década de 70 (“Beyond the stable state”), no entanto, parece retomar as idéias básicas sobre mudança (inovação) e aprendizagem sob o parâmetro da noção de redes que o autor define como “um conjunto de elementos referidos uns aos outros através de múltiplas conexões” (p. 190), em que estes elementos fazem parte de um fluxo e do processamento de informações. Este modelo em rede dos elementos de uma organização são, segundo o autor, o modelo ideal para um gerenciamento mais eficaz de empresas, por exemplo. Uma das constatações centrais da análise de Manuel Castells sobre as novas formas de organização das empresas no capitalismo informacional que o autor conceitua em “A Sociedade em rede”.

    Este conceito, é preciso dizer, coloca-se como uma tentativa de análise de estruturas de uma sociedade tecnologicamente desenvolvida e cuja tecnologia encontra-se estreitamente vinculada à troca e ao processamento de informações (distinta dos modelos tecnológicos anteriores que potencializavam a força física). Todos os autores citados têm em vista as grandes inovações tecnológicas ocorridas principalmente durante e depois da 2ª Guerra Mundial.

     

  • Indústria Cultural (Adorno e Horkheimer)

    Em uma conferência radiofônica (1963), Adorno faz um resumé do termo indústria cultural: “Parece que a expressão “indústria cultural” foi empregada pela primeira vez na Dialética do esclarecimento, que Horkheimer e eu publicamos em 1947, em Amsterdam. Em nossos esboços se falava em “cultura de massas”. Substituímos esta expressão por “indústria cultural”, para desligá-la desde o início do sentido cômodo dado por seus defensores: o de que se trata de algo como uma cultura que brota espontaneamente das próprias massas, da forma que assumiria, atualmente, a arte popular. Dela a indústria cultural se diferencia de modo mais extremo. Ela combina o consuetudinário com uma nova qualidade. Em todos os seus setores são fabricados de modo mais ou menos planejado, produtos talhados para o consumo de massas e este consumo é determinado em grande medida por estes próprios produtos. Setores que estão entre si analogamente estruturados ou pelo menos reciprocamente adaptados. Quase sem lacunas, constituem um sistema. Isto lhes é permitido, tantos pelos hodiernos instrumentos da técnica, como pela concentração econômica e administrativa. Indústria cultural é a integração deliberada, pelo alto, de seus consumidores.[…]”.

  • Função-autor (Foucault)

    “A função autor é, assim, característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de alguns discursos no interior da sociedade”, na medida em que o nome do autor, para além do nome próprio, exerce uma função classificatória no interior do discurso, permitindo que certos textos sejam reagrupados, delimitados ou opostos entre si [relações de filiação, de autenticação recíproca, de exclusão], bem como definindo um modo de ser do discurso que poderíamos dizer não-cotidiano, extra-ordinário, não-anônimo. Foucault aponta quatro características da função-autor: i) os discursos portadores da função-autor são objetos de apropriação pelo que ele denomina “regime de propriedade para os textos” – no final do século XVIII e início do XIX. A função-autor está ligada ao sistema jurídico-institucional que contém, determina, articula o universo dos discursos. ii) a função-autor não é exercida universal e constantemente em todos os discursos, em todas épocas e sociedades. Por exemplo, na Idade Média, os textos literários não dependiam da autoria enquanto que os ditos científicos eram marcados pelo nome do autor; já entre os séculos XVII-XVIII, o discurso científico promove o apagamento da função-autor, enquanto que o literário é por esta provido. iii) a função-autor não remete pura e simplesmente a um indivíduo real; ela pode dar lugar simultaneamente a vários egos, várias posições-sujeito que classes de diferentes sujeitos podem ocupar. iv) a função-autor não é definida pela atribuição espontânea de um discurso ao seu produtor, mas por uma série de operações complexas e específicas.

    FOUCAULT, Michel. O que é um autor? (1969) In: Ditos e Escritos – Estética: literatura e pintura; música e cinema. Rio de Janeiro : Forense Universitária, 2006. FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo : Loyola, 1996.